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Moçambique: Bolseira Margarida França conclui Mestrado em Música

  • Moçambique

8 de Março de 2022


Margarida Lázaro França, moçambicana de 35 anos, concluiu o mestrado em Etnomusicologia e Estudos em Música Popular, na Universidade de Aveiro, em Portugal.

Margarida Lázaro França, moçambicana de 35 anos, formou-se em Música na Escola de Comunicação e Artes da Universidade Eduardo Mondlane, no seu país. Sempre quis pesquisar fenómenos musicais e entender as questões chaves “Quem? Quando? Porquê? E como?” e por isso candidatou-se a uma bolsa de Mestrado PROCULTURA para ir estudar Etnomusicologia e Estudos em Música Popular na Universidade de Aveiro, em Portugal. Com o apoio da bolsa que ganhou, é agora mestre neste tema.

Margarida canta em coros desde criança e escolheu como tema da sua tese “CANTO EM CORO NA CONSTRUCAO DE COMUNIDADES IMAGINADAS – CASO DO FESTCOROS EM MOCAMBIQUE (2006-2019)”. Escrever sobre as dinâmicas dos coros e o modo como estes geram comunidades imaginadas fazia todo sentido para a cantora de alma altruísta – “Sempre gostei de atividades de grupo em contexto de música, pois os coros são locais de apoio e interajuda entre as pessoas.”

A sua pesquisa analisa o evento coral anual organizado em Moçambique desde o ano de 2006 – o Festival Festcoros[1] (FFC), procurando explorar em que medida o FFC promove sentimentos de comunhão e de identificação mútua entre diferentes moçambicanos e de que modo trabalha para a construção de uma comunidade imaginada[2]. Nas suas pesquisas, a aluna, divide a participação no festival, e a prática coral do país, em coros laicos e religiosos. Constata que os coros laicos participam, maioritariamente, com temas patrióticos cantados durante a luta de libertação de Moçambique e composições sobre a luta contra a pobreza, ou a boa cidadania entre os moçambicanos. Entre a participação de coros religiosos, destaca a de um coro islâmico, aclamada pela imprensa, pelos organizadores do evento e pelos membros do júri, como uma forma de ratificar a união entre diferentes Igrejas. Perante o que encontrou, Margarida confirma a importância do festival para a unificação da sociedade e a construção de uma comunidade imaginada, em torno de tradições ancestrais e o carácter resiliente dos moçambicanos.

 De volta a Moçambique, a bolseira diz levar consigo o respeito pela música do outro e o cuidado ético nas abordagens musicais: “Cada povo tem sua música e se quisermos entender a música de cada povo e preciso conviver com esse povo, com esses indivíduos”.

Daqui quer avançar para o doutoramento e dedicar-se à instrução de mulheres em situação de vulnerabilidade. “Tenho acompanhado histórias de vida de mulheres que não conhecem seus direitos e sofrem todo tipo de abuso dentro de seus relacionamentos conjugais e na sociedade em geral. Eu creio que se as mulheres cantarem em coro suas dificuldades e promoverem as propostas de proteção que o estado moçambicano disponibiliza para todas as mulheres, muito pode melhorar.”

 Margarida conta que estudar em Portugal foi uma experiência incrível: “Aprendi as ferramentas necessárias para poder pesquisar, escrever e partilhar conhecimento sobre os fenómenos musicais. Desde os fenómenos musicais da minha terra e de outros lugares do mundo.”

Aos outros bolseiros pede que aproveitem a oportunidade: “Façam valer a oportunidade que o PROCULTURA nos concede, esforcem-se em partilhar conhecimento, experiências e claro, terminem seus cursos com muito boas notas. Porque só assim poderemos melhorar a situação cultural dos nossos países.”

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[1]  Programa de concertos televiso transmitido pela STV (estação de televisão privada moçambicana) todos os domingos durante dois meses e uma semana, num total de 9 galas consecutivas.

[2] A análise toma como referência o estudo de Philip Bohlman (2011), referência o papel do festival europeu da canção na construção de uma comunidade imaginada na nova Europa.

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