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Moçambique: Bolseiro Orlando Fernão conclui Mestrado em Música

  • Moçambique

24 de Março de 2022


Antes de ir estudar para Portugal trabalhava na Universidade Eduardo Mondlane na Direção de Recursos Humanos e como professor, e diretor pedagógico voluntário, na “Levi – Escola de Construção de Capacidade Musical”, da qual foi cofundador. A escola, que começou com o objetivo de fundar a orquestra e bandas da igreja local, cresceu e é hoje aberta ao público, funcionando como uma escola comunitária, gratuita.

Assim começa a aventura de Orlando Fernão, moçambicano com 32 anos de idade, bolseiro PROCULTURA que concluiu o Mestrado em Etnomusicologia e Estudos em Música Popular, na Universidade de Aveiro. “Notei que atividades ligadas à música me estavam a ocupar mais tempo que as outras”, conta-nos o técnico de recursos humanos que virou professor de música.

Em 2011 inscreveu-se numa licenciatura em música e em 2019 candidatou-se ao mestrado da Universidade de Aveiro com uma bolsa do PROCULTURA. “Queria com a formação em música alastrar as minhas possibilidades de desenvolvimento do trabalho comunitário em música iniciado na Levi”.

Orlando espera que uma certificação na área ajude a legitimá-lo junto de instituições públicas e privadas, em especial do Governo da Matola e da Província de Maputo, de forma a levar o ensino da música às crianças sem recursos. “A Levi acolhe e fornece instrumentos musicais como violinos, saxofones, e outros, a crianças que nem sequer podiam pensar na possibilidade de estudar música, muito menos a clássica ocidental. Com a formação, pretendo dar seguimento a este projeto junto com estes Governos”.

Agora mestre na área, Orlando escreveu a sua tese sobre as “Memórias de Moçambique em Berlim: Um Estudo para a Repatriação de Registos Sonoros”. Ficou a saber da gravação de canções e músicas em Moçambique, realizadas por antropólogos alemães em 1931 e, sabendo da possibilidade de repatriação, dedicou-se a iniciar o processo. Para Orlando esta repatriação pode ser útil para a recuperação de práticas já esquecidas com o tempo, assim como para a melhoria das práticas em vigor atualmente.

Apesar de ter conseguido grande avanços e resultados, como acordos com o Arquivo Fonográfico de Berlim para a repatriação e com o Arquivo Histórico de Moçambique para a receção, devido à Covid-19, não conseguiu concretizar o regresso destes sons, da Alemanha para Moçambique – “Para o efeito, era necessário um trabalho de campo tanto na Alemanha, como em Moçambique.” – mas garante que quando as condições o permitam, vai continuar este trabalho. É o seu desejo tornar as gravações conhecidas nos seus locais de origem, nomeadamente em Manica e Sofala.

Orlando quer continuar a pesquisa na área de arquivos e fazer um doutoramento, como forma de dar continuidade ao seu estudo. Por outro lado, vai dar início ao projeto de expansão da Levi, o desejo que o fez ir estudar para Portugal.

“Estudar em Portugal foi uma oportunidade única. Sem este apoio [do PROCULTURA] não teria sido possível esta formação”, partilhou o bolseiro.

Aos seus pares (outros bolseiros) aconselha a serem focados: “Saibam o que querem e onde querem chegar”. Diz-lhes que conheçam as dificuldades e dediquem-se a eliminá-las. “Tudo o que é bom e agradável e ainda perfeito, demora, leva o seu tempo. É preciso ser focado e persistente e não se distrair.”

Ao PROCULTURA deixou um Khanimambo (que significa obrigado em ‘Xichangana’, uma das línguas nacionais de Moçambique).

Khanimambo nós Orlando! Continua o bom trabalho!

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