Moçambique: Espetáculo, produzido no âmbito do PROCULTURA, reúne em palco artistas vindos dos cinco PALOP, Timor-Leste e Portugal
30 de Setembro de 2025
Foi apresentado no passado dia 12 de setembro, no Centro Cultural Moçambique-China, em Maputo, o espetáculo «Resistir para Existir», que reuniu em palco jovens artistas de sete países lusófonos, numa criação multidisciplinar, que combinou música, teatro, dança e poesia.
Descrito já como uma das mais relevantes experiências colaborativas no espaço lusófono, o espetáculo convidou o público a revisitar memórias coletivas das lutas de libertação colonial, num exercício de arte, emoção e partilha coletiva.
O espetáculo, que envolveu mais de 50 participantes – entre os 16 artistas de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, músicos e equipa técnica – contou ainda com a participação especial do escritor Mia Couto e do músico Stewart Sukuma, que criaram o hino do evento; das artista Xixel Langa e Ana Girão, e do músico Remna Schwarz, que protagonizou uma emocionante homenagem ao pai, o músico guineense José Carlos Schwarz.
Apresentado a 12 de setembro, dia em que se assinalaram os 101 anos do nascimento de Amílcar Cabral, o espetáculo «Resistir para Existir» foi o culminar da residência artística com o mesmo nome, que se realizou nas três semanas anteriores e que reuniu a bailarina Géssica Pedro e a cantora Odeth Cassilva, de Angola; a bailarina Suaila Lima e a cantora Yacine Rosa, de Cabo Verde; os artistas multidisciplinares Janice Candé, Eugénia Lopes e Osvaldo Netos, da Guiné-Bissau; o músico e realizador Luís Fernandes, a atriz e encenadora Carolina Monteiro e o percussionista Francisco Vieira, de Portugal; a cantora e compositora Shelcia Mac e a atriz e cantora Leia Nhambe, de Moçambique; a atriz e rapper Vanessa Faray e o bailarino Eduardo Lourenço, de São Tomé e Príncipe; e a contadora de histórias Olga Boavida e a cantora e declamadora Orlanda Mendonça, de Timor- Leste.
No período que decorreu entre 21 de agosto e 11 de setembro, os artistas não só cocriaram o espetáculo final, mas tiveram oportunidade de participar em debates sobre memória, identidade e resistência. O objetivo foi a construção de uma narrativa performativa contemporânea, que não só homenageasse as resistências passadas, mas questionasse as repercussões dessas lutas na atualidade. Para isso, os 16 artistas mergulharam num verdadeiro trabalho de investigação, troca artística e criação coletiva. De destacar que, durante o período de residência artística, o grupo recebeu a visita da Secretária de Estado para as Artes e Cultura de Moçambique, Matilde Muocha, que sublinhou a importância de reconhecer a raiz comum entre diferentes países e práticas artísticas e aproveitou para destacar o papel da arte como linguagem universal de resistência e reinvenção.
A Residência Artística e o Espetáculo «Resistir para Existir», coordenados pela Associação Cultural Scala em parceria com a Khuzula, integram o Resistência e Afirmação Cultural, projeto financiado pelo PROCULTURA que visa a investigação e a recriação contemporânea das manifestações artísticas que ocorreram durante o processo da libertação colonial, tanto nos PALOP, como em Timor-Leste e em Portugal.
O PROCULTURA é um projeto financiado pela União Europeia, que é gerido e cofinanciado pelo Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, I.P. e conta também com financiamento da Fundação Calouste Gulbenkian. Dispõe de um orçamento de 19 milhões de euros e tem como objetivo contribuir para a criação de emprego em atividades geradoras de rendimento na economia cultural e criativa nos PALOP e em Timor-Leste.







