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Bassola PET

Onde muitos viam lixo, Eloneid Neves construiu futuro

Com uma motorizada, poucas ferramentas e uma convicção inabalável, Eloneid Neves transformou garrafas plásticas descartadas em vassouras ecológicas e criou a Bassola PET, um projeto são-tomense que prova que a economia circular pode gerar impacto ambiental, dignidade e mudança social.

Quando Eloneid Neves olha para uma garrafa plástica vazia, não vê desperdício. Vê possibilidade. Vê impacto. Vê futuro.

Engenheira agrónoma de formação, mãe de três filhos e mulher profundamente ligada à terra e à sua comunidade, Eloneid construiu a Bassola PET a partir de uma inquietação simples, mas poderosa: a forma como os resíduos plásticos eram descartados em São Tomé e Príncipe e as consequências silenciosas dessa prática para o ambiente e para a saúde humana.

O ponto de viragem surgiu quando decidiu responder a um concurso de ideias promovido pela Câmara de Água Grande, em parceria com o projeto REHDES, no âmbito da economia circular. Entre várias propostas, apresentou uma solução prática e improvável: transformar garrafas plásticas em vassouras ecológicas. O projecto venceu. Mas, mais do que um prémio, nasceu ali um compromisso.

No início, as garrafas vinham de amigos. Depois, com o aumento da procura, Eloneid passou a comprá-las aos catadores da lixeira de Penha. Hoje, a Bassola PET conta com uma rede de cerca de 42 doadores regulares (entre particulares e empresas), que passaram a separar e doar as garrafas, mudando hábitos e mentalidades.

Durante três anos, Eloneid percorreu ruas, bairros e comunidades com uma motorizada, poucos meios e muita determinação. Desistir nunca foi opção. “A Bassola PET já não é só minha”, afirma. “Pertence a São Tomé e Príncipe.”

Cada vassoura produzida representa mais do que um objeto funcional. Representa uma vitória contra o desperdício, uma prova de que a reciclagem pode gerar rendimento, emprego e dignidade. Representa também a valorização de recursos locais, como o bambu, criando rendimento adicional para comunidades produtoras.

O reconhecimento chegou com o 1.º lugar no Concurso Empreende Mais, que atribuiu à Bassola PET um prémio de 12 mil dólares. Para Eloneid, o valor financeiro foi importante, mas o simbolismo foi ainda maior: confiança, validação e a certeza de que o empreendedorismo sustentável tem futuro no país.

Daqui a cinco anos, imagina uma empresa estruturada, com mais trabalhadores, novos produtos reciclados e presença em todo o território nacional, integrada numa verdadeira economia circular.

Aos jovens que hesitam, deixa uma mensagem simples e direta: não esperem pelas condições perfeitas. Comecem com o que têm, onde estão. Porque pequenas ideias, quando implementadas com consistência e propósito, podem gerar grandes impactos.

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